O campo e o azul significam: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A âncora é símbolo da virtude teológica da esperança e o seu metal, prata, traduz a inocência, a castidade, a pureza, fidelidade e a eloquência, virtudes essenciais num religioso; o coração flamejante é símbolo de caridade, que simboliza o fogo da caridade inflamado no coração dos religiosos salesianos pelo divino Espírito Santo, bem como, valor e socorro aos necessitados. A estrela é símbolo da fé, sendo ainda símbolo da Virgem Maria, que como poderosa Auxiliadora do povo cristão, é a celeste protectora do género humano. A estrela traduz: nobreza, autoridade, generosidade e ardor. A figura de São Francisco de Sales lembra o Patrono da Sociedade. A palma e o louro que, entrelaçados, simbolizam o prémio reservado a quem leva uma vida sacrificada e virtuosa. O lema “Dai-me almas e ficai com o resto” exprime o ideal de todo religioso salesiano.
Espírito Salesiano
O exemplo de S. João Bosco serve de modelo, onde os salesianos extraem alguns aspectos que indicam a prática da espiritualidade salesiana:
- Uma espiritualidade cristã: o ponto de partida é o amor de Cristo pela humanidade, que é a raiz da caridade do salesiano pelos jovens. É com o coração de Cristo que o salesiano desenvolve sua missão.
- Uma espiritualidade eclesial e católica: a acção e vida salesiana são desenvolvidas na convivência em comunidade, no aspecto concreto da convivência interpessoal, no aspecto do sentido de Igreja, que convive na diversidade de visões e culturas e na unidade da fé, sintetizada na missão do Santo Padre.
- Uma espiritualidade na experiência de Deus: mesmo não sendo uma ordem contemplativa, o salesiano contempla em sua acção a experiência de Deus como Pai, que olha, que cuida, que educa e que ama os jovens.
- Uma espiritualidade alegre: enraizado em S. Francisco de Sales, defensor da alegria como própria da santidade. Em vez de rejeitar o mundo e o que há no mundo, o salesiano valoriza as novidades do mundo temporal, quando elas trazem a alegria e agradam aos jovens e claro não firam a moral e os bons costumes.
- Uma espiritualidade optimista e operante: não se lamenta nem se perturba diante da adversidade, responde aos desafios com uma visão optimista da vida e com seu trabalho, de forma simples, direita e descomplicada, pois sabe que agindo dessa maneira, corresponde à providência divina.
- Uma espiritualidade humana na temperança: procura no quotidiano as oportunidades de penitência, a incompreensão das pessoas, as dificuldades do clima, os desentendimentos, as pequenas falhas que sempre incomodam, praticando assim a paciência e a temperança, sem recorrer a penitências extraordinárias. É, assim, uma espiritualidade acessível a qualquer pessoa.
- Uma espiritualidade atenta e criativa: criar o novo, ter iniciativa, acompanhar e antecipar a história para estar perto da humanidade e sobretudo dos jovens, principalmente quando se trata da salvação.
- Uma espiritualidade educadora: a devoção a Maria Auxiliadora dos Cristãos, concretizou-se na proposta educativa do sistema preventivo fundamentado na razão, na religião e no carinho. A exemplo de Maria, que na concepção católica é mãe e educadora de Jesus, a educação se faz pela clareza das instruções, pela fé como fundamento da acção e pela caridade e amor à humanidade como caminho de encontro com Deus.
- Uma espiritualidade de serviço aos jovens: sintetizada na frase "Basta que sejais jovens para que eu vos ame", amor que muitas vezes importunava os inexperientes jovens, significa que é possível vencer o egoísmo sabendo que a vida não é um fim em si mesmo, mas um dom que se dedica a quem se ama. Na espiritualidade salesiana esse amor é dedicado à criança e aos jovens em primeiro lugar e proposto como um convite a ajudar nessa missão a todos os que já chegaram à vida adulta.

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